Por Will Au, Vice-presidente de Serviços de Engenharia
Os custos da dívida técnica são imensos, e seu impacto nas organizações vem crescendo em complexidade. Apenas os números são impressionantes, com organizações usando uma média de 30% de seu orçamento de TI e 20% de seus recursos humanos de TI para gerenciar a dívida técnica. Mas talvez ainda mais surpreendentes do que os custos diretos sejam os efeitos insidiosos que ela tem sobre o crescimento geral dos negócios, com 70% de líderes de tecnologia concordando que a dívida técnica tem um grande impacto em sua capacidade de impulsionar a inovação.
As preocupações com a dívida técnica estão crescendo exponencialmente à medida que as empresas continuam a modernizar rapidamente seus sistemas e infraestrutura de TI, com a dívida técnica também subindo para o terceiro maior desafio para a transformação digital em 2023 – subindo na classificação em relação ao sexto maior obstáculo em 2022. O estudo também revelou que a dívida técnica afetou 86% organizações ao longo do ano passado, resultando em uma capacidade limitada de inovar, cumprir os acordos de nível de serviço (SLAs) e evitar interrupções e tempo de inatividade.
Em essência, a dívida técnica pode atuar como um obstáculo à agilidade organizacional e à estabilidade financeira a longo prazo. Com cada vez mais empresas correndo para modernizar e atualizar suas pilhas de tecnologia da forma mais rápida, eficiente e econômica possível, entender os custos reais da dívida técnica — e encontrar maneiras de mitigá-la — tornará-se fundamental para impulsionar a transformação digital.
Então, o que é dívida técnica, exatamente?
O termo “dívida técnica” foi inicialmente cunhado há cerca de duas décadas pelo desenvolvedor de software Ward Cunningham para descrever os custos implícitos que surgem ao implementar soluções subótimas em prol da velocidade, com o entendimento de que esses elementos precisarão ser refeitos no futuro para um desempenho ideal. Semelhante à dívida financeira, a dívida técnica acumula juros (na forma de cifrões ou barreiras à inovação) que sua organização terá que pagar no futuro.
Também conhecida como dívida de software ou dívida de código, a dívida técnica afeta particularmente a área de application development. Em um cenário típico de dívida técnica, as equipes de desenvolvimento podem adiar a tarefa de corrigir falhas ou defeitos de segurança para apressar o lançamento de um software no mercado o mais rápido possível. Outro cenário possível é que os desenvolvedores possam omitir intencionalmente um recurso específico do software (que poderia ter implicações significativas na usabilidade ou na segurança), em favor de uma funcionalidade considerada mais interessante ou lucrativa.
Como a dívida técnica está prejudicando as empresas?
Pesquisa da McKinsey indica que até 71% do impacto das transformações empresariais depende da tecnologia. Em outras palavras, os investimentos em uma pilha de tecnologia capaz possibilitaram quase três quartos do valor gerado nas transformações empresariais em diversos setores. No entanto, a dívida tecnológica sufoca ativamente esse progresso, representando cerca de 40% dos balanços patrimoniais de TI. Normalmente, as empresas pagam um valor adicional de 10% a 20% para lidar com a dívida tecnológica, além dos custos de qualquer projeto.

A dívida técnica pode surgir de uma série de práticas, incluindo não atualizar sistemas e soluções legados, privilegiar a entrega rápida de tecnologia em detrimento de benefícios de longo prazo, adotar atalhos para cumprir prazos ou implementar soluções pontuais para atender a prioridades de negócios. A falha em corrigir esses problemas resulta no que a McKinsey descreve como um “círculo vicioso” de dívida técnica.

Para as organizações de hoje, as integrações de API personalizadas e ponto a ponto também são uma importante fonte de débito técnico. As integrações ponto a ponto consomem muitos recursos e são processos manuais, que normalmente dependem de um ou de poucos desenvolvedores altamente treinados para serem configuradas. Como resultado, essas integrações são difíceis de dimensionar ou manipular, levando ao acúmulo de mais débito técnico que inibe a capacidade de uma organização de lançar novos projetos sem esforço, conectar sistemas e aplicativos para otimizar fluxos de trabalho, ou atualizar e integrar sua pilha de tecnologia.
3 maneiras pelas quais o iPaaS ajuda a eliminar a dívida técnica
Soluções de plataforma de integração como serviço (iPaaS) são um componente fundamental para resolver o problema da dívida técnica. Com empresas de todos os portes utilizando agora uma mistura diversificada de recursos em nuvem e locais, sistemas legados e aplicativos SaaS, o iPaaS fornece uma única solução para funcionários não técnicos e desenvolvedores integrarem ambientes e conectarem dados, aplicativos e processos de negócios. Aqui estão três maneiras pelas quais as soluções iPaaS podem ajudar a prevenir e reduzir a dívida técnica:
- Padronização, Centralização e Reutilização:
Ao padronizar e centralizar as práticas de integração com uma única plataforma, as equipes de desenvolvimento podem evitar abordagens ad-hoc ou isoladas que levam a integrações inconsistentes ou sujeitas a erros. Além disso, as plataformas iPaaS frequentemente oferecem uma ampla gama de conectores e modelos pré-construídos para sistemas e aplicativos populares para acelerar o tempo de valorização e a velocidade de implementação sem sacrificar o desempenho do projeto. Ao aproveitar componentes reutilizáveis, as equipes de TI podem acelerar o desenvolvimento de integrações, reduzir a duplicação de código ou erros e garantir padrões de integração consistentes, reduzindo o potencial de introdução de dívida técnica. - Desenvolvimento e Implantação Rápidos:
As plataformas iPaaS fornecem ferramentas de desenvolvimento visual, interfaces de arrastar e soltar (drag-and-drop) e recursos de código baixo que aceleram o desenvolvimento e a implementação de integrações. Além da padronização oferecida por um iPaaS, essa abordagem de desenvolvimento rápido reduz o tempo gasto com codificação manual, depuração e manutenção. Ao otimizar o ciclo de vida do desenvolvimento de integrações de maneira mais estratégica, você pode minimizar as chances de introduzir erros ou funcionalidades incompletas, reduzindo o potencial de acúmulo de dívida técnica. - Monitoramento, Gerenciamento e Escalabilidade:
Com recursos avançados de monitoramento e gerenciamento, as plataformas iPaaS permitem que os desenvolvedores acompanhem o desempenho, a confiabilidade e a integridade de suas integrações em tempo real. Com esses dados ao seu alcance, as equipes de desenvolvimento podem identificar e resolver rapidamente quaisquer problemas, como gargalos de desempenho, erros ou problemas de compatibilidade, antes que eles aumentem e contribuam para a dívida técnica.
Um iPaaS bem projetado oferecerá ferramentas e recursos fáceis de usar para criar, implantar, gerenciar e monitorar Interfaces de Programação de Aplicações (APIs) – o agente de ligação ou os blocos de construção para ambientes de TI modernos. Um iPaaS também pode substituir códigos personalizados que podem levar à dívida técnica por não estarem sendo mantidos, atualizados ou simplesmente sem suporte porque o desenvolvedor não está mais na empresa.
As soluções de iPaaS de baixo código levam a redução de dívida técnica um passo adiante, usando uma combinação de automação, IA e análise para identificar problemas potenciais no início de um projeto ou processo e tomar medidas Corretivas em tempo real. As ferramentas de iPaaS também podem ajudar na atualização de sistemas pouco intuitivos, na digitalização de processos em papel e na modernização de aplicativos legados.
Quais são os benefícios de eliminar a dívida técnica?
Tecnologia obsoleta ou desatualizada pode sufocar a transformação e a inovação. Em contrapartida, tomar medidas para eliminar a dívida técnica facilita resultados positivos, como crescimento de receita, redução de riscos de negócios e maior inovação.
É por isso que eliminar o débito técnico deve ser uma prioridade para qualquer organização; e o iPaaS oferece uma estrutura que elimina a necessidade de pegar atalhos com suas integrações. Com uma solução iPaaS robusta, as empresas podem criar maior eficiência, construir uma base mais sólida para futuras inovações e liberar recursos para o crescimento.
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